História / a tragetória artistica

Enquanto completávamos os estudos em Ubá, nos apresentávamos esporadicamente nas emissoras de TV do Rio de Janeiro.

Já no início da carreira profissional, fomos presenteadas: trabalhamos com nomes como Moacyr Franco, o pianista Luiz Carlos Vinhas e os diretores de shows Miéle e Bôscoli.

Conhecemos o compositor Carlos Imperial, formando com ele, Ângelo Antônio e Gastão Lamounier Neto, o grupo vocal “A Turma da Pesada” – irreverente, alegre, uma revolução de comportamento, que fez um grande sucesso nos anos 70.

Junto à cantora Clara Nunes, o grupo venceu o Festival de Música de Juiz de Fora, cantando a música “Mandinga”, de Ataulfo Alves e Carlos Imperial.

Paralelamente, nossa dupla cantava em bailes, na orquestra do trombonista Ed Maciel e depois no conjunto do pianista Dângelo. Ainda achávamos tempo para os estudos: foi quando nos diplomamos em Licenciatura Musical, no Instituto Villa-Lobos, no Rio.

 

Em maio de 1986, pegamos novamente a estrada, para o norte e nordeste do Brasil, com o excelente intérprete Emílio Santiago, dentro do “Projeto Pixinguinha”.

Em 1987, gravamos o primeiro disco solo. O repertório, voltado para nossas raízes interioranas, tem toadas, guarânias, valseados, rasqueados.

Desde então, fixamos residência em São Paulo, passando a nos dedicar ao estudo e à difusão da música regional, em seus diversos estilos, e ao nosso folclore.

Em 1988, fomos à Brasília levar ao então Ministro da Cultura, prof. Celso Furtado, um projeto de criação do “Museu de Imagens e do Som do Sertão”. Recebemos dele total apoio, mas devido às mudanças políticas e a outras dificuldades em viabilizá-lo, está temporariamente arquivado.  

Em novembro de 90, recebemos o convite da TV Manchete para atuarmos como atrizes e cantoras na novela “A História de Ana Raio e Zé Trovão”. As personagens formavam uma dupla caipira, “Luminada e Luminosa”. Atuamos em toda a trama da novela –que foi sucesso nacional- fazendo muitas cenas com números musicais ao vivo.

Em 1998, outra experiência marcante: participamos do filme “O Viajante”, do cineasta Paulo Cesar Saraceni, cantando a valsa “A Tristeza dos Sinos”, de Ary Barroso, do CD “Ary Mineiro”.

Em 2000, gravamos o CD “Brasil na Mesma Toada”.

Em 2002 é lançado internacionalmente o documentário “Carrego Comigo”, sobre gêmeos, do premiado cineasta Chico Teixeira, do qual fizemos parte.  

Fomos nomeadas membros da Comissão Nacional do Centenário de Ary Barroso e em 15 de janeiro de 2003 é instituído o “Ano Ary Barroso”, em cerimônia no Palácio do Planalto. Na ocasião, interpretamos com o Ministro da Cultura Gilberto Gil, “Aquarela do Brasil”, a música mais famosa de Ary.

Lançamos em novembro do mesmo ano, o livro de crônicas “Por todos os Cantos”, (Editora Ibrasa), ilustrado com fotos de nosso pai, o fotógrafo Celidonio Mazzei.  O prefácio do livro é do jornalista Sérgio Cabral e a apresentação foi escrita pelo Vice-Presidente da República, José Alencar Gomes da Silva.

 

Embarcamos para uma temporada na casa de shows “Saci Pererê”, em Tóquio, Japão. Foram seis meses cantando música popular brasileira. A marcha brasileira “Taí”, de Joubert de Carvalho, tem uma versão em japonês, feita especialmente para nós.

No retorno para o Brasil, atuamos com destaque na então exuberante noite de São Paulo, em casas que fizeram história como “Stardust”, “Regine’s” e “Viva Maria”. No repertório, grandes compositores da MPB, como Ary Barroso, Cartola, Chico Buarque, Caetano Veloso e ainda soltávamos as vozes em idiche, italiano, espanhol e inglês.

Nos anos 80, os também gêmeos e cartunistas Paulo e Chico Caruso nos convidaram para o espetáculo “Cromossomos”, de humor e música, muito divertido de fazer.

Em 84, uma experiência marcante: dividimos o palco com o grande cantor Cauby Peixoto, no espetáculo “Dance com Cauby”, em duas temporadas no Rio, uma no restaurante “Velho Galeão” e depois no “Asa Branca”. A crítica premiou o show como o melhor do ano e na seqüência, o mesmo foi apresentado em várias capitais do país. 

Em 1994, lançamos pela Editora Nova Fronteira, o livro “A Cozinha Caipira de Celia & Celma”.

Em 95, recebemos em Belo Horizonte, das mãos do prefeito Patrus Ananias, o título “Embaixador do Centenário”, pelo trabalho de resgate dos variados segmentos da cultura mineira.  

Em 1997, concretizamos o projeto “Ary Mineiro”, fruto de uma pesquisa sobre a obra de Ary Barroso, lançado em uma turnê, com um show dirigido por Myrian Muniz.

Em dezembro de 1997, recebemos a Comenda Ary Barroso, da Câmara dos Vereadores de Ubá.

De 1988, o Canal Rural nos convidou para apresentarmos um programa que mostrasse nossa cultura de raiz. Assim começou o “Programa Celia & Celma”, que permaneceu nove anos no ar, recebendo o melhor da música regional e caipira, nossos compositores, instrumentistas e cantores, além da riqueza e diversidade do nosso folclore.

Também uma experiência que nos honrou, foi contracenar com o grande Ronald Golias no humorístico “Meu Cunhado”, do SBT, em 2004, poucos meses antes do seu falecimento.

Fazemos parte do Fórum Paulista Permanente da Música, coordenando o grupo de trabalho Patrimônio e Pesquisa.

Depois de algum tempo recolhendo receitas e preciosidades do folclore alimentar da região onde nascemos, a Editora Senac SP edita o livro “Do Jeitinho de Minas”. Nele estão 165 dessas receitas e um brinde especial: um Cd com 15 receitas cantadas (ver link – culinária).

O livro recebe na China o prêmio Gourmand World Cookbook Awards, como o melhor de culinária regional de 2006.

O Canal Futura quis “animar” nossas receitas cantadas, que foram exibidas em clipes, nos intervalos da programação da emissora. Veja como ficaram.

Em novembro de 2009, fomos a Cuba e nos apresentamos para professores, alunos e colaboradores da Universidade Camilo Cienfuegos, na província de Matanzas. O tema da conferência foi “A música em Minas Gerais: Do Barroco a Ary Barroso.

E voltamos animadas para reviver as tradicionais marchinhas nos festejos carnavalescos de 2010. Fizemos shows em unidades do Sesc, coroando com uma apresentação no encerramento oficial do Carnaval da cidade histórica de São João Del Rey (M.G.).