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Do
jeitinho de Minas
Culinária regional
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Quando
lançamos o livro A cozinha caipira de Celia & Celma
(Nova Fronteira, 1994), nossa intenção era trazer
à lembrança dos que viveram em meio aos sabores
e aromas das cozinhas dos fogões “de” lenha – como dizemos
em nossa terra – uma fatia do passado que marcou deliciosamente
nossa vida na Zona da Mata de Minas Gerais e mostrar aos cozinheiros
modernos uma comida simples e saborosa. Afinal, a culinária
mineira é uma das principais marcas de que se orgulha nosso
estado.
Até algumas décadas
atrás, a rotina diária nas cidades mineiras passava
forçosamente pela cozinha, um costume que aproximava as
famílias, as comadres e os vizinhos: ali, na beira do fogão,
uma provadinha na comida, a troca de receitas e a prosa comprida,
recheada do saber da gente simples.
Os encantos da tecnologia trouxeram
conforto e facilidades à cozinha moderna, gerando também
uma nova mulher, que trocou as listas domésticas pela disputa
no mercado de trabalho. E, coisa impensável naqueles tempos,
a mulher não é mais soberana na cozinha: ela divide
o espaço pacificamente com o sexo masculino.
Mas as mudanças impostas
pela vida prática não apagaram inteiramente a cultura
original. Quando pensamos em escrever este livro, ainda na trilha
das cozinhas de ontem, e saímos a visitar as velhas amigas
da família – anônimas co-autoras de uma história
em comum -, descobrimos que as antigas tradições
não desapareceram de todo.
Alguns dos cantos por onde
passamos permanecem praticamente intactos, e as pessoas ainda
vivem sem pressa, cultivando hábitos seculares como pegar
água na bica, torrar os grãs de café, fazer
doces em grandes tachos no terreiro e alimentar-se de sua criação
e de sua horta.
E, dentro de cozinhas superequintadas,
vimos as sucessoras daquelas hábeis cozinheiras de nossa
infância mantendo os elos com seu passado recente e igualando-se
às suas mães no domínio da arte de cozinhar.
Ali, entre uma conversa e outra, vasculhamos juntas, nos guardados
valiosos, os cadernos de mães e avós, para recolher
as receitas mais apreciadas e típicas de cada família.
A todas, nosso especial agradecimento.
Na carona dessas andanças,
recolhemos também tesouros da sabedoria do povo, que são
úteis e divertidos: provérbios, simpatias, adivinhas,
trovas, etc. – tudo, sempre, com um pé na cozinha.
Durante o processo de elaboração
deste livro fomos nos envolvendo com seu conteúdo e criamos
figuras em argila, para ilustrar estas páginas, recordando
nossa infância, quando brincávamos “de casinha”,
fazendo panelinhas de barro colhido da beira do rio que passava
no fundo do nosso quintal.
E, como cantoras, oferecemos
a você um presente que é uma novidade: um CD com
várias receitas, versejadas e interpretadas por nós,
em ritmos bem brasileiros. É um jeito gostoso de seguir
o passo-a-passo da receita, cantando!
Duas beijocas com sabor
das melhores quitandas.
Algumas receitas:
Bolos
do dia-a-dia
Bolo Majestade

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